Jardins

Palácio dos Biscainhos

Os Jardins, conjuntamente com o Palácio, tornam-se ilustrativos da vivência da sociedade nobre portuguesa. O conjunto estrutura-se em três tabuleiros, patamares ou níveis, definindo socalcos unidos por lanços de escadarias, no primeiro, inserindo-se o Terreiro e o Jardim Formal, espaços de aparato e de representação por excelência, seguindo-se os de funcionalidade, rematados pelo recinto das Muralhas. Toda a área se apresenta enriquecida com Património Arquitetónico e Escultórico de expressão Barroca e Rococó, estando associado aos dois maiores arquitetos que trabalharam em Braga, Manuel Fernandes da Silva e André Soares, que nos proporcionaram notáveis exemplares com incidência, na Fonte do Terreiro, em todo o Jardim de Aparato e no Pavilhão. Os Jardins enquadram diversificadas espécies arbóreas, entre estas sobrelevando-se um “Liriodendron tulipifera L.”, vulgarmente identificado como Tulipeiro-da-virgínia, um monumento botânico, com uma antiguidade de cerca de 300 anos, encontrando-se classificado de Interesse Público desde 2010.

Equilíbrio natural

Nos Jardins do Palácio, assim como em toda a natureza, existem cadeias que ligam todos os seres vivos entre si, formando uma rede de relações dentro do ecossistema. Cada espécie depende de outras para obter energia e sobreviver. Desta forma, a energia circula entre os diferentes níveis: das plantas para os insetos e dos insetos para os predadores. Estas relações mostram como todos os organismos estão interligados e como cada um desempenha um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas.

Fauna
Palácio dos Biscainhos

Abelhão - Cardador

Nos jardins do Museu dos Biscainhos podes encontrar o Abelhão-cardador (Bombus pascuorum).

Este polinizador robusto, coberto de pelos alaranjados e castanhos, visita flores de várias espécies para recolher néctar e pólen, sendo essencial para a reprodução das plantas.

É uma espécie dócil, pouco agressiva, e que passa grande parte do tempo em voo baixo, entre flores e ervas.

Esperamos por ti para procurares este polinizador nos Jardins do Palácio!

Borboleta-zebra

Nos jardins do Museu dos Biscainhos podes observar a elegante Borboleta-zebra (Iphiclides feisthamelii)

Muito característica pelas suas asas esbranquiçadas com riscas pretas, esta borboleta destaca-se facilmente entre as flores. É frequente vê-la a alimentar-se do néctar de diversos tipos de plantas, como por exemplo, lavandas, trevos ou budleias.

É uma importante polinizadora, contribuindo para a reprodução das plantas e para a diversidade florística do jardim.

Nos Jardins do Palácio podes encontrar esta e muitas outras espécies!!

Borboleta-colibri-riscada

Nos jardins do Museu dos Biscainhos vive a Hyles livornica, conhecida como Borboleta-colibri-riscada.

É uma mariposa de asas estreitas com padrões castanhos, brancos e rosados, capaz de pairar no ar enquanto bebe néctar, tal como um beija-flor. Atua como polinizadora e as suas lagartas alimentam-se de várias plantas silvestres, contribuindo para o equilíbrio do jardim.

Mais ativa ao entardecer e durante a noite, é um verdadeiro tesouro escondido da biodiversidade.

Não percas a oportunidade de ver esta espécie nos Jardins do Palácio!

Borboleta-malhadinha

Sabias que nos jardins do Museu dos Biscainhos podes encontrar a Borboleta-malhadinha (Pararge aegeria)?

Esta borboleta possui as asas castanhas salpicadas com manchas alaranjadas, sendo observada facilmente a voar entre zonas sombreadas, junto a árvores e arbustos.

É uma polinizadora muito importante e as suas lagartas alimentam-se de gramíneas, ajudando a manter o equilíbrio da vegetação.

Explora os jardins com atenção, nunca se sabe qual será a próxima espécie que vais encontrar!

Borboleta-andorinha

Esta espécie é uma excelente polinizadora e deposita os seus ovos nas plantas de arruda, que servem de alimento às suas lagartas. Atualmente, encontrámos ovos nas arrudas do nosso jardim e estamos a criar algumas borboletas em cativeiro para mostrar aos visitantes o seu ciclo de vida — desde ovo, lagarta, casulo até ao momento mágico da libertação da borboleta na natureza.

Bicho - da - conta

Este pequeno crustáceo terrestre desempenha um papel fundamental no ecossistema, uma vez que se alimenta de folhas caídas e matéria orgânica em decomposição. Prefere ambientes húmidos e abrigados, sendo frequente encontrá-lo debaixo de pedras, troncos ou entre a folhagem.

Na tua próxima visita aos Jardins do Palácio dos Biscainhos, observa atentamente os recantos mais frescos e sombrios... talvez descubras este discreto habitante!

Cinzentinha

Sabias que nos jardins do Museu dos Biscainhos podes encontrar a Cinzentinha (Leptotes pirithous)?

Esta delicada borboleta, de asas azuladas por cima e acastanhadas por baixo com pequenas manchas, visita flores para se alimentar de néctar, ajudando na polinização.

Apesar do seu tamanho bastante reduzido, é uma viajante incansável, movendo-se entre várias plantas em busca de alimento.

Quando visitares os Jardins do Palácio procura bem, podes ter a sorte de te cruzar com esta espécie!

Coruja -do- Mato

No Tulipeiro dos Jardins do Palácio dos Biscainhos habita uma coruja-do-mato (Strix aluco).

Esta ave de rapina noturna é um dos predadores mais discretos dos nossos espaços verdes, desempenhando um papel fundamental no controlo natural de pequenas populações de roedores.

Se passares pelos Jardins do Palácio do Biscainhos ao entardecer ou durante a noite, presta atenção… talvez consigas ouvir o seu característico chamamento a ecoar entre as árvores.

Gaio

O Gaio desempenha um papel fundamental nos ecossistemas, pois ajuda na dispersão de sementes, especialmente de carvalhos, ao enterrar bolotas que muitas vezes acabam por germinar. Desta forma, contribui ativamente para a regeneração natural dos bosques.

É uma ave inteligente, cautelosa e com um chamamento rouco e bastante característico, que pode denunciar a sua presença mesmo quando permanece escondido nas árvores.

Gafanhoto- egípcio

Nos Jardins do Palácio também pode ser encontrado o gafanhoto-egípcio (Anacridium aegyptium).

Este grande gafanhoto é uma das espécies mais imponentes que podemos observar nos espaços verdes, distinguindo-se pelas suas longas patas traseiras e pelos olhos estriados característicos.

Apesar do seu tamanho, é um animal bastante discreto e inofensivo, passando grande parte do tempo imóvel entre a vegetação, onde a sua coloração acastanhada lhe serve de camuflagem perfeita.

Se passares pelos Jardins do Palácio do Biscainhos, observa com atenção a relva e os arbustos… talvez consigas detetar o seu salto repentino ou o seu voo curto entre plantas.

Lagartixa-dos-muros

Nos Jardins do Palácio habita a Lagartixa-dos-muros (Podarcis muralis), um pequeno réptil ágil e discreto que passa grande parte do tempo a aquecer ao sol.

A Lagartixa-de-muros alimenta-se de insetos, aranhas e outros pequenos invertebrados, contribuindo para o controlo natural destas populações.

Uma das suas características mais curiosas é a capacidade de largar a cauda para escapar aos predadores, regenerando-a posteriormente.

Se passeares pelos Jardins do Palácio dos Biscainhos num dia de sol, observa atentamente os muros e recantos de pedra... talvez a encontres nos jardins a desfrutar do calor enquanto vigia o seu território!

Lesma

Estes pequenos moluscos terrestres(Deroceras sp.) são habitantes discretos e muito comuns em zonas húmidas e sombrias dos jardins.

Apesar da sua aparência simples, desempenham um papel importante no equilíbrio do ecossistema, pois alimentam-se sobretudo de matéria vegetal em decomposição, contribuindo para a fertilidade do solo.

De hábitos noturnos e movimentos lentos, escondem-se durante o dia debaixo de pedras, folhas ou troncos. Se visitares

os recantos mais frescos e húmidos dos jardins, talvez encontres uma destas pequenas exploradoras silenciosas em plena atividade.

Melro-preto

Nos jardins do Palácio dos Biscainhos é comum ver e ouvir o Melro-preto (Turdus merula).

É uma espécie que apresenta dimorfismo sexual, sendo o macho fácil de reconhecer pelas penas pretas e bico amarelo vivo, enquanto a fêmea apresenta um tom castanho-escuro, mais discreto, com o bico mais escurecido.

Alimenta-se de insetos, minhocas e frutos, avistando-se frequentemente a revolver o solo com o bico. É um aliado no controlo de pragas e na dispersão de sementes, ajudando a manter os jardins vivos e equilibrados.

Passa pelos Jardins do Palácio, para poderes ver esta e muitas outras espécies!!

Louva-a-deus- europeu

Nos Jardins podes encontrar o Louva-a-deus-europeu (Mantis religiosa).

Este inseto predador é facilmente reconhecido pelo corpo alongado e patas dianteiras em forma de “reza”, adaptadas para capturar presas com rapidez. Alimenta-se de outros insetos, ajudando no controlo natural de pragas.

Com a sua camuflagem, mistura-se na vegetação, tornando-se quase invisível até se mover para atacar.

Milípede

Apesar da sua aparência discreta, este pequeno invertebrado desempenha um papel importante na natureza.

Alimenta-se de folhas e matéria vegetal em decomposição, encontrando-se em locais húmidos e abrigados, sendo mais ativo após períodos de chuva.

Quando se sente ameaçado, enrola o corpo em espiral para proteger as partes mais vulneráveis e pode libertar substâncias químicas com odor desagradável, afastando potenciais predadores.

Percevejo

O Percevejo (Rhaphigaster nebulosa) vive nos jardins do Palácio dos Biscainhos.

Com o seu corpo acastanhado, camufla-se facilmente entre folhas e troncos. É inofensivo para os humanos e importante para o equilíbrio do jardim, pois alimenta-se da seiva de árvores e plantas, ajudando a regular o crescimento da vegetação.

No outono, procura abrigos para hibernar, por vezes até dentro de casa, mas sem causar qualquer dano.

Procura com atenção porque a biodiversidade também se esconde nas formas mais discretas!

Rã-verde

No charco dos jardins do Palácio dos Biscainhos é possível encontrar a Rã-verde (Pelophylax perezi).

Com o seu tom verde vibrante e reflexos dourados, é fácil de identificar mas difícil de observar, pois salta para a água e esconde-se ao menor sinal de movimento!

É uma espécie essencial no jardim, pois alimenta-se de insetos e larvas, ajudando a controlar pragas e a manter o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.

Sapo- parteiro

Nos jardins do Palácio habita o Sapo-Parteiro (Alytes obstetricans)? Sim, um pequeno anfíbio muito peculiar uma vez que, o macho transporta os ovos às costas até à eclosão.

Este sapo desempenha um papel importante no equilíbrio dos nossos jardins, controlando naturalmente as populações de insetos.

Possui hábitos noturnos e é bastante discreto, sendo mais ouvido do que visto.

Vaquinha

Nos Jardins do Palácio pode ser encontrado a Vaquinha (Dorcus parallelipipedus), distinguindo-se pelas suas mandíbulas e pelo corpo escuro e brilhante.

O seu papel na natureza é muito importante, uma vez que as suas larvas se desenvolvem em madeira em decomposição, contribuindo para a renovação dos ecossistemas florestais.

Prefere locais sombrios e ricos em madeira morta, sendo mais ativo durante os meses mais quentes.

Flora
Palácio dos Biscainhos

Aveleira

Nos jardins do Palácio pode encontrar a aveleira (Corylus avellana). Esta espécie é nativa da Europa e tem sido cultivada desde a Antiguidade pelos seus frutos, as avelãs, sendo uma presença frequente em quintas, pomares e jardins históricos.

As avelãs são uma importante fonte de alimento para aves e pequenos mamíferos, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas.

Camélias

Originárias do leste da Ásia, estas plantas foram introduzidas na Europa entre os séculos XVII e XVIII, tornando-se rapidamente uma das espécies ornamentais mais apreciadas nos jardins de palácios e casas nobres, pela elegância das suas flores e pela floração durante o inverno.

Ao longo dos séculos foram selecionadas inúmeras variedades de Camellia japonica, razão pela qual é possível encontrar, no mesmo jardim, flores muito diferentes entre si, variando na cor, na forma e no número de pétalas. As suas flores fornecem néctar e pólen numa época do ano em que existem poucas plantas em floração, sendo uma importante fonte de alimento para os insetos polinizadores.

Castanheiro da Índia

Apesar do seu nome, esta espécie é originária da região dos Balcãs, tendo sido introduzida na Europa Ocidental durante o século XVI.

De grande porte e copa ampla, destaca-se pela sombra abundante e pela sua floração, características que fizeram desta árvore uma presença marcante em jardins históricos, palácios e grandes alamedas.

Na primavera, quando floresce, atrai uma grande diversidade de insetos polinizadores, como abelhas e abelhões, que sendo um importante e fonte de néctar e pólen.

Ginkgo Biloba

Esta espécie é conhecida como um "fóssil vivo" pois, é a única espécie sobrevivente de um grupo de plantas que já existia há mais de 200 milhões de anos, muito antes do aparecimento das plantas com flor.

Originário da China, a Ginkgo biloba foi introduzido na Europa no século XVIII e rapidamente passou a integrar jardins botânicos e palacianos, onde era apreciado pela sua raridade, longevidade e pelas características folhas em forma de leque. No outono, a sua folhagem adquire uma intensa coloração dourada, tornando-se um dos elementos mais marcantes da paisagem.

Lavanda

A lavanda (Lavandula angustifolia) é uma planta muito apreciada pelo seu aroma intenso e pelas suas flores violetas. Esta planta é originária da região mediterrânica e, há séculos que é cultivada em jardins pela sua beleza, fragrância e pelas suas propriedades medicinais e aromáticas.

As suas flores são uma importante fonte de néctar e pólen, atraindo uma grande diversidade de insetos polinizadores, como abelhas, borboletas e sirfídeos. Ao fornecer alimento a estes animais, a lavanda contribui para a biodiversidade e para o equilíbrio do ecossistema dos jardins.

Magnólia

A magnólia (Magnolia grandiflora) é uma das árvores ornamentais mais emblemáticas dos jardins históricos. Originária do sudeste dos Estados Unidos, foi introduzida na Europa no século XVIII e rapidamente passou a adornar jardins de palácios e casas nobres, onde era valorizada pela imponência da sua copa e pela beleza das suas flores.

Para além do seu valor ornamental, a magnólia guarda uma curiosa história natural. Pertence a um dos grupos mais antigos de plantas com flor e as suas flores evoluíram para serem polinizadas sobretudo por escaravelhos, muito antes do aparecimento das abelhas. Ainda hoje, as suas grandes flores perfumadas fornecem pólen e alimento a diversos insetos.

Tulipeiro- da- Virginia

Nos jardins do Palácio dos Biscainhos pode encontrar o majestoso Tulipeiro-da-Virgínia (Liriodendron tulipifera). Esta árvore, originária do leste da América do Norte, foi introduzida na Europa no século XVII e tornou-se uma presença frequente em jardins históricos e palacianos, onde era apreciada pelo seu porte imponente e pelas suas flores invulgares.

O exemplar existente nos Jardins do Palácio dos Biscainhos é particularmente notável: estima-se que tenha cerca de 300 anos e está classificado como Árvore de Interesse Público, constituindo um importante elemento do património natural e histórico.

As suas flores, semelhantes a tulipas, produzem néctar abundante e são visitadas por diversos polinizadores. Ao passeares pelos jardins, observa tens a oportunidade de ver de perto esta árvore monumental, um verdadeiro testemunho vivo da história do Palácio e da riqueza botânica que chegou até aos nossos dias.